sábado, 7 de setembro de 2013

Platonico

Eu dizia a alguém que nunca mais amaria alguém, seria possível esse ato ?
Em uma noite fria no inverno de setembro, estava eu lá, envenenando minhas memorias e entorpecendo a saudade.
Conversas rotineiras, sem sal, sem graça.
Ao que me parece, ela estava lá o tempo inteiro, mas só notei no mais tardar.
Juntos bebíamos e conversávamos coisas loucas, sem sentindo, algo que pareceu encaixar no vazio que sentia. Sentado olhei em seus olhos verdes e preocupados, algo a afligia e logo descobri.
Ficamos horas sentados comendo, conversando, não estava com pena apenas apreensivo.
Ela parecia gostar dos meus olhos, não me olhava sem que perfurasse minha couraça de ferro que estava a muito me apertando. Me senti leve e apenas deixei ir.
Logo sentamos em um lugar cheio de arvores, e ela tinha cheiro de chicletes de melancia, uma garota que não se encontra muitas vezes na vida. Eu começava frases e ela terminava com uma excelência esplendida a ponto de ser algo que eu teria dito.
O vento meio que sem querer foi  empurrando ela para meu lado e se segurando em meus braços, seu cheiro era hipnotizante, e o frio deixava tudo tão mais lúcido. A tempos não tocava a terra com os pés e a mente. Mas ela com seu jeito destravou tudo que estava aqui.
Não vou esquecer seu sorriso, nem seus traços, nem o que fez pelo pobre leigo em uma noite de inverno.

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