terça-feira, 12 de novembro de 2013

Libra

Nossa ilha, um ponto no mar, dois pássaros despidos, azuis…
Nós imperfeitos, soltos, calcados e nus num ponto amarelo ouro. Eu posso te ver, meu bem, eu posso ver as nossas mãos mergulhadas no mar, eu te encontrei perdido em mim, eu me guardei na tua pele salgada. Eu quero ficar aqui, nossa ilha que é o nosso abrigo que a brisa encobre feito cobertor. Um abraço quente, solar. Na pepita mais valiosa do universo somos deuses semi-nus, sem sombras, somos luz, cabisbaixos e encobertos pelo orvalho salgado. Nos afagamos, nos cuidamos, tateamos nossos poros ensandecidos e descontínuos em ebulição. No ápice do medo o aconchego, no contratempo do ritmo desconexo a melodia perfeita do blues surrado de James Brown. Flui a inocência. Ah, as mãos… desenham na paredes as asas do gavião-rei que desponta no infinito nos indicando a direção. Na coluna cervical maleável e afã, a tatuagem da partitura da nossa canção, me tira pra dançar sobre as ondas do mar azul meu bem? somos ar… um desatino, somos loucos desvairados. Na velocidade da luz alcançamos as beiradas do abismo, os cantos e entremeios de nossas carnes vadias e entregues ao nossos sonhos intergaláticos. Somos meteoritos azuis endiabrados, nos desatamos sem nós, nossos mares se engolem, o céu se abarrota de estrelas e de uma em uma vamos contando felicidades no relógio universal

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