Andava por ai sóbrio, dois dias sem colocar um gota de álcool em minha boca. Os meus filhos parecem estar tão bem, minha esposa anda cantando em casa enquanto cozinha, fazia tempos que não ouvia a melodia linda que antes estava rara.
Andei o dia todo tentando colocar a cabeça em outra coisa, mas minha mente pede mais uma dose. Melhor ir me arrumar para trabalhar.
Aqui em casa ao menos não tem álcool e depois de me arrumar é só chegar no serviço, que estou muito mais longe dele.
Encontrei um colega da faculdade, me convidou para tomar uma cerveja mas resisti novamente, estou me sentindo bem melhor.
Agora que chegou o final de semana, vou ir ao cinema com meus filhos, ao menos é um passeio saudável, e quem sabe não consiga corrigir os erros cometidos enquanto estava bêbado.
O cinema estava ótimo, comemos uns daqueles lanches gigantes e depois tomamos muito sorvete, não sinto vontade alguma de beber. Nunca mais.
Estou a um mês sem beber, minha vida esta indo de vento em popa, nunca me senti mais vivo, mais alegre, bem disposto, não tenho nenhum pouco de saudade da vida que levava.
Briguei com minha esposa, estou um caco, não sei como fui me casar com uma megera dessas, nem ao menos me escuta, não me deixa educar meus filhos, agora estou na linha, e tudo tem que estar na mesma, não quero nada mais além de paz dentro da minha casa.
Fui levar minha filha na escola, e na volta na resisti, tomei uma dose de Whisky, mas nada demais, provavelmente não vou passar disso.
Ontem depois do serviço, não resisti a um convite de ir tomar um chopp, talvez eu estivesse merecendo, mas nada que um tempo sem beber depois não resolva.
Passei em frente a um bar de um conhecido, estou um pouco tonto, não deveria estar bebendo tanto, e nem se quer sei onde coloquei meu carro.
Encontrei meu carro, estava duas quadras depois do bar, ao menos aqui dentro dele está quente.
Não acredito que começou a chover logo agora, está muito escuro e não vejo mais a pista com precisão.
Uma luz veio em direção ao carro do rapaz, era um caminhão que não conseguiu frear quando o carro do rapaz entrou na contra mão.
Antes de morrer pensou em seus filhos e em como estava arrependido de ter bebido aquele dia e logo após isso, ele faleceu quando a ambulância chegou e o retirou dos escombros.
Sucumbiu ao álcool, sucumbiu o direito de pensar livremente, sucumbiu a vida.
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